Nação de povos sem história?

Impropriedades do primitivismo na recepção do “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”

Rodrigo Octávio Cardoso

Abstract

A publicação do “Manifesto da Poesia Pau-Brasil,” de Oswald de Andrade, em 1924, foi um momento decisivo na busca de uma estética nacional moderna. Esse evento marcou um momento crítico no discurso sobre a formação de um modernismo distintamente brasileiro. A rápida linguagem vanguardista, o apelo a uma poética nacional e referências à história brasileira provocaram fortes reações dentro dos círculos modernistas, particularmente quanto à adoção percebida do primitivismo como forma de referência à cultura brasileira. Através da leitura cruzada da recepção crítica de figuras-chave do modernismo da época, como Graça Aranha, Tristão de Athayde, Menotti del Picchia e Mário de Andrade, bem como a publicação posterior de Oswald da coletânea de poemas Pau-Brasil, cartografo a dispersão e as regularidades dos discursos sobre o desenvolvimento de uma autêntica estética nacional em um diálogo com a tradição do nacionalismo literário romântico, revelando o subtexto racial que fundamenta a articulação entre modernidade e primitivismo.

A defining moment in the quest for a modern national aesthetic unfolded with the publication of Oswald de Andrade’s “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” in 1924. This event marked a critical juncture in the discourse on shaping a distinctly Brazilian modernism. Andrade’s swift avant-gardist language, his call for a national poetics, and his references to Brazilian history provoked strong reactions within modernist circles, particularly regarding Andrade’s perceived adoption of primitivism as a way to reference Brazilian culture. This study engages in a cross-referenced examination of the critical reception by key modernist figures of the time, such as Graça Aranha, Tristão de Athayde, Menotti del Picchia, and Mário de Andrade, as well as of Andrade’s subsequent publication of the poetry collection Pau-Brasil, mapping the dispersion and regularities in discourses regarding the development of an authentic national aesthetic in dialogue with the tradition of romantic literary nationalism and revealing the underlying racial subtext that grounds its interplay between modernity and primitivism.

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