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Maura Lopes Cançado, A Writer Between the Art World and the Asylum

Dylan Blau Edelstein

Abstract

Between 1959 and 1960, while hospitalized at Rio de Janeiro’s Centro Psiquiátrico Nacional, Maura Lopes Cançado penned a diary that brought madness to the center of Brazilian literature: Hospício é Deus: Diário 1 (1965). This essay situates Cançado within the surprisingly porous midcentury relationship between Brazilian psychiatric hospitals and the modern art world. The diary was written at the same hospital where psychiatrist Nise da Silveira’s arts-based therapeutic project attracted avant-garde figures to accompany patients’ creative processes, in parallel to the increased exhibition of patients’ works in domestic and international museums. In this context, Cançado emerges as a uniquely liminal figure, hospitalized alongside Silveira’s patients, but also embedded in an avant-garde network that deeply admired “primitive” and “mad” art. This in-between position is tense but strategic, as Cançado turns her gaze inwards towards hospital life, while also challenging the art world’s “ecstatic eyes” from within.

Entre 1959 e 1960, enquanto internada no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, Maura Lopes Cançado escreveu um diário que trouxe o tema da loucura para o cerne da literatura brasileira: Hospício é Deus: Diário 1 (1965). Este ensaio situa Cançado dentro da relação porosa entre os hospícios brasileiros e o mundo da arte moderna em meados do século XX. O diário foi redigido no mesmo hospital onde o projeto terapêutico da psiquiatra Nise da Silveira atraía artistas vanguardistas interessados em acompanhar a produção criativa de pacientes, paralelamente à exposição crescente das obras desses pacientes em museus nacionais e internacionais. Nesse contexto, Cançado surge como figura singularmente liminar: internada ao lado dos pacientes de Silveira, mas também ligada a uma rede de vanguarda que admirava a arte “primitiva” e “louca.” Ela ocupa um entrelugar tenso, mas estratégico, dirigindo seu olhar para o interior da instituição, enquanto também desafia os “olhos extasiados” do mundo das artes.

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Resumo

Abstract

Between 1959 and 1960, while hospitalized at Rio de Janeiro’s Centro Psiquiátrico Nacional, Maura Lopes Cançado penned a diary that brought madness to the center of Brazilian literature: Hospício é Deus: Diário 1 (1965). This essay situates Cançado within the surprisingly porous midcentury relationship between Brazilian psychiatric hospitals and the modern art world. The diary was written at the same hospital where psychiatrist Nise da Silveira’s arts-based therapeutic project attracted avant-garde figures to accompany patients’ creative processes, in parallel to the increased exhibition of patients’ works in domestic and international museums. In this context, Cançado emerges as a uniquely liminal figure, hospitalized alongside Silveira’s patients, but also embedded in an avant-garde network that deeply admired “primitive” and “mad” art. This in-between position is tense but strategic, as Cançado turns her gaze inwards towards hospital life, while also challenging the art world’s “ecstatic eyes” from within.

Entre 1959 e 1960, enquanto internada no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, Maura Lopes Cançado escreveu um diário que trouxe o tema da loucura para o cerne da literatura brasileira: Hospício é Deus: Diário 1 (1965). Este ensaio situa Cançado dentro da relação porosa entre os hospícios brasileiros e o mundo da arte moderna em meados do século XX. O diário foi redigido no mesmo hospital onde o projeto terapêutico da psiquiatra Nise da Silveira atraía artistas vanguardistas interessados em acompanhar a produção criativa de pacientes, paralelamente à exposição crescente das obras desses pacientes em museus nacionais e internacionais. Nesse contexto, Cançado surge como figura singularmente liminar: internada ao lado dos pacientes de Silveira, mas também ligada a uma rede de vanguarda que admirava a arte “primitiva” e “louca.” Ela ocupa um entrelugar tenso, mas estratégico, dirigindo seu olhar para o interior da instituição, enquanto também desafia os “olhos extasiados” do mundo das artes.

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